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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Brütal Legend - Plasytation 3

Literalmente... Brutal e lendário.
O imbatível humor escrachado de Tim Schafer é hoje quase um sacramento na indústria de games. Afinal, segundo o próprio, foi a abordagem hilária e criativa que permitiu que pedradas como Day of the Tentacle e Grim Fandango entrassem para os anais da história dos games mesmo com as consideráveis limitações técnicas das plataformas do início dos anos 90.

Mas, ei! Agora a sétima geração está a todo o vapor, com gráficos muito mais rápidos e convincentes — para não falar em uma melhoria gritante no que diz respeito a reações físicas. Esse então não seria o ambiente perfeito para que a incontestável maestria de Schafer destilasse uma obra ancorada nas suas influências mais evidentes (games, humor e heavy metal... não necessariamente nessa ordem)?

É claro que é! E é justamente daí que nasce o icônico Brütal Legend, uma homenagem caricata e de muito bom gosto a uma época em que solos de guitarra lentos não eram solos de guitarra; em que se vestir de forma andrógina era apenas uma questão de estilo. Tudo isso devidamente calcado em uma deturpação própria (e um tanto inocente) de uma porção de elementos da mitologia nórdica.


Personificando essa ideia, aparece a singela figura de Eddie Riggs. Riggs é o “roadie” de uma pretensiosa banda que mistura o heavy metal — o “seu” bom e velho heavy metal — com diversas influências e ideias modernas (como funk e dance, por exemplo).

Eddie se queixa e lembra os velhos tempos do heavy metal, além de fazer uma ode aos roadies em geral, como figuras ilustres e absolutamente necessárias, embora sempre de fora dos holofotes — cena impagável na qual se pode encontrar a veia tragicômica de Jack Black em sua melhor forma.

Mas as coisas mudariam em breve. Ao salvar um dos integrantes da banda durante um show, Eddie sofre um acidente; um acidente que vai jogá-lo diretamente na sua concepção bastante particular do que seria o céu: um mundo que transpira heavy metal em cada rodovia, pradaria, em cada cabeleira engraçada, em cada grito estridente.

O quê? A morte?

As muralhas aqui são feitas de milhares de amplificadores empilhados, pode-se encontrar guitarras gigantescas enterradas no chão, e cada vilão ou herói parece ter sido retirado diretamente de um clipe da MTV.

É nesse ambiente que Tim Schafer conta a história de Brütal Legend, uma ode ao metal, um ótimo jogo de ação e, finalmente, um título que vai fazer você pausar constantemente o seu vídeo game para rir do impagável humor de Jack Black — além de outros famosos, como Ozzy Osbourne (o Guardião do Metal), que deixam aqui a sua marca.


Aprovado

Do que nós gostamos


“Aha! Eu sabia! Um demônio grande e feio!”

Como um jogo de Tim Schafer, era até bastante natural esperar que a história fosse um dos pontos altos em Brütal Legend. Mas não entenda mal, a ação é realmente ótima, e dirigir o endiabrado “Deuce” (o seu veículo aqui) através do extenso cenário não poderia ser mais divertido — atropelando uma ou outra cruza de gazela com ser mítico eventualmente.

Entretanto, não se espante se você acabar mais interessado em saber qual é a próxima surpresa reservada pelo jogo do que pelo seu desenvolvimento em si. Que tal um exemplo?

Putz, fedeu!

Logo no início da trama, quando Eddie resolve ajudar a bela Ophelia e o estereotipado Lars — que, para todos o efeitos, poderia muito bem ser uma caricatura do Dave Mustaine —, a missão é resgatar “headbangers” que vem sendo explorados para quebrar pedras em uma mina.

Com um discurso que parece retirado de uma cena perdida de “Tenacious D in the Pick of Destiny”, Eddie convence os pobres e explorados “bangers” de que eles estão sendo explorados; de que deveriam sim bater as cabeças, mas não para quebrar pedras, e sim para agitar ao som do bom e velho heavy metal.

Em um segundo momento, Ophelia jaz moribunda, e apenas um curandeiro conhecido como Kill Master pode fazer alguma coisa. Acontece que o curandeiro não é ninguém senão o inconfundível Lemmy Kilmister, do Motörhead (sim, por isso o trocadilho com Kill Master). Mas, para salvar a pobre Ophelia, Jack precisa sair à cata da teia de uma aranha metálica, o que permitiria ao Kill Master tocar um som ainda mais pesado.

No mais, o humor de Tim Schafer ainda garante coisas como um acidente geográfico conhecido como “Wall of Screaming”, um interminável paredão de amplificadores que faria inveja a Yngwie Malmsteen. Isso sem falar em hilárias combinações de mulheres e demônios, estereótipos e tiradas geniais. Enfim, trata-se do mestre Schafer em sua melhor forma.

Decapitatioooooon!

A ira de um roadie Mas o humor criativo de Tim Schafer não fica apenas na história. A jogabilidade de Brütal Legend também acompanha o clima geral da trama. A começar pelas suas armas aqui: um belo e lustroso machado viking e Clementine, a fiel Gibson Flying V de Eddie.

Embora os ataques com o machado não sejam nada diferentes do que você provavelmente já viu em centenas de “hack ‘n slash”, os ataques utilizando a guitarra não são nada menos do que criativos. Isso porque Eddie descobriu que, no mundo do heavy metal, sua guitarra causa danos reais aos inimigos.

Ela dispara raios, causa estrondos nas cercanias e, enfim, produz diversos efeitos através dos solos. E é nesse ponto que as coisas ficam realmente interessantes: os solos aqui servem tanto para chamar o carro de Eddie — um belo contraponto ao assobio do Zorro — quanto para, pasme, dissolver as cabeças dos inimigos.

Cada solo é ainda um objetivo em si: trata-se de um mini-jogo rítmico, no qual você deve apertar cada uma das notas no tempo certo, para conquistar os efeitos. A propósito, é bom ter bastante prática nisso, já que errar um solo em meio a uma horda de demônios sedentos pode não ser uma opção — embora o pior seja apenas uma volta ao último “checkpoint”.

Um dos pontos altos de Brütal Legend vem das suas perambulações a bordo de Deuce, o estrambólico carro envenenado de Eddie Riggs. Além de ser a melhor maneira de cruzar o amplo cenário do jogo, Deuce ainda pode ser equipado para virar uma verdadeira arma, com metralhadoras e lança chamas — desde que você possa encontrar a “mecânica” mais próxima.

Heavy Metal dos pés à cabeça

O Mundo do Heavy Metal pintado por Tim Schafer só não se parece totalmente com uma caricatura por dois motivos. Em primeiro lugar, pela interpretação convincente e hilária de Jack Black, que consegue dar a cada um dos estereótipos do jogo um ar épico e nobre — a figura do “roadie” nunca antes havia alcançado um patamar tão elevado!

Heavy Metal na veia!

Em segundo lugar, porque Brütal Legend é absolutamente preciosista em retratar cada pormenor, cada comportamento, e cada idiossincrasia associada ao universo do heavy metal. Quer dizer, além daquilo que é obviamente caricato, você tem detalhes da guitarra, belos solos reais e comentários feitos por alguém que nitidamente conhece o cenário do heavy metal bem de perto.

E, para complementar essa ideia, aparece a excelente trilha sonora, que vai do heavy metal mais clássico ao death metal, flertando ainda com o hard rock. Tudo acoplando-se perfeitamente aos detalhes trazidos pela trama e pelo cenário. Enfim, trata-se do jogo que qualquer “metaleiro” escolado espera há muito tempo.
Eddie Riggs: roadie, messias do metal e... Estrategista?

Quando você espera que Brütal Legend finalmente não tenha mais nada a mostrar, surge a surpresa mais improvável do título: as “Stage Battles”. É quando sem mais nem menos o seu jogo de ação acaba virando uma versão hilária de RTS, com as tradicionais bases dando lugar e imensos palcos, e os suprimentos de energia dando lugar a fontes inesgotáveis de fãs — eles literalmente brotam do chão.

Nesse ponto, Eddie Riggs assume a sua faceta estrategista. Ele deve coordenar “headbangers”, “hot-chicks” e afins contra o palco do inimigo, sempre tomando o devido cuidado para manter inteiras as suas lojas de merchandising, que garantem um fluxo contínuo de fãs. Eddie ainda terá diversos solos preparados para desequilibrar as coisas no campo de batalha, seja para auxiliar os fiéis “bangers”, seja para marcar pontos específicos de “spawn” no cenário.

Sim, veículos

Embora também façam parte do modo “single player”, as “Stage Battles” são principalmente o seu modo multiplayer em Brütal Legend. Aliás, é no multiplayer que você poderá escolher entre diversos exércitos, que nada mais são do que tribos distintas dentro do cenário musical — detalhe a temática Death Metal, onde tudo evoca morte, defuntos e um clima lúgubre. Realmente impagável.


Reprovado

O que espantou o BJ... No mau sentido


Missões secundárias

Quando você não está diretamente envolvido em uma missão, sobra apenas vagar pelas pradarias do Mundo do Heavy Metal atrás de missões paralelas, que dão algum dinheiro para gastar em upgrades. Sim, a ideia é boa, além de conferir um quê de “espaço aberto de jogo”. O problema é que essas missões secundárias são incrivelmente repetitivas, e você vai acabar executando-as apenas para conseguir alguns trocados extras.

Impasses multiplayer

Sim, o multiplayer é tremendamente criativo, mostrando uma caricatura bem humorada tanto do heavy metal quanto dos RTS mais clássicos. O problema é que nem tudo aqui funciona às mil maravilhas. Basicamente, quando o campo de batalha estiver transbordando de demônios e “bangers”, será realmente fácil você acabar um pouco perdido. E, embora isso não seja um grande problema no modo “single player”, essa bagunça generalizada pode segurar um pouco o passo nas batalhas multiplayer.


No mais, é impossível deixar de perceber que Brütal Legend apresenta um modo multiplayer mais por uma necessidade ditada pela atual geração. Quer dizer, embora seja uma ótima sacada, fica a pergunta: será que, Tim Schafer lançasse Grim Fandango hoje, ele seria obrigado a colocar um modo em que os jogadores pudessem competir pelas vendas de planos de viagem póstumos? Talvez fosse incluído um timer, então? É mais ou menos por aí.


Conclusão

Vale a pena?


Brütal Legend é simplesmente um dos jogos mais criativos e engraçados da atual geração de consoles. Como um resultado da excelente combinação dos talentos de Tim Schafer e Jack Black, tem-se uma ode divertida, tematicamente interessante e totalmente fluída envolvendo o inconfundível universo do Heavy Metal.

Dessa forma, se agudos estridentes, crânios, demônios reluzentes e solos na velocidade da luz representam alguma coisa pra você, boa sorte. O Mundo do Heavy Metal está à sua espera.

FIFA 10 - Playstation 3

É gol, que felicidade o meu time é alegria da cidade! FIFA 10 honra a camisa e faz bonito em campo.
O campeonato Brasileiro entra na sua reta final e a briga pelo título começa a pegar fogo e os campeonatos europeus vão desfilando as suas estrelas, tanto nas competições nacionais como na grande festa da Liga dos Campeões da UEFA (UEFA Champions League).

Enquanto isso, nos video games FIFA 10 entra em campo para dar o pontapé inicial para mais uma temporada e mesmo com o adversário ainda nos vestiários, os atletas virtuais da EA Sports já mostram as suas habilidades no gramado.

Antes um breve adendo, é uma pena que o mercado de jogos futebolísticos resuma-se a dois títulos. Não que quantidade seja exatamente sinônimo de qualidade, porém é interessante observar como nesse — que é um dos gêneros mais populares do mundo — conte somente com dois jogos, para nossa sorte ambos são excelentes, tanto os da linha FIFA como dos da série PES.

De volta ao assunto em questão, FIFA 10 já vai para o jogo com a pressão de manter o título de campeão. Seu antecessor direto, FIFA 09, trouxe algumas grandes inovações à franquia, e solidificou outras funcionalidades já implementadas em FIFA 08.

Agora, a nova edição traz uma nova revolução, porém nada muito aparente, algo mais sutil, mas que afeta diretamente a jogabilidade e confere outro nível de realismo e diversão. Em uma merecida analogia futebolística podemos dizer que trata-se apenas de uma renovação de plantel, sendo que a tática de jogo e comissão técnica permanece a mesma.





Aprovado

Do que nós gostamos


Pedala Robinho!

Não há como discutir, o principal atributo de FIFA 10 é o novo sistema de movimentação em 360º, um refinamento técnico que fora “testado” já versão do ano passado, mas que dessa vez brilha com cores sensacionais, ou melhor, com dribles desconcertantes.

O aclamado drible e rotação a 360º é algo tão natural que chega a ser estranho pensar como era possível jogar sem tal recurso, passes precisos, dribles perfeitos e cortes humilhantes são uma realidade, basta apontar e executar. Chega de brigar em vão com a máquina por não conseguir disparar um passe longo na diagonal para o ponteiro que se desvencilha da marcação.


Carta na manga Sangue no olho!

Como um daqueles treinadores estrategistas FIFA 10 tem sempre uma carta na manga e não decepciona os seus usuários mesmo nas situações de jogo mais adversas. O título conta com uma sorte de modalidades de jogo, online e local, multiplayer e single player, em suma, opções para todos os gostos.

Muriçoca que se cuide

Outro destaque é o novo modo Manager, maior, melhor e mais divertido. Como de costume você assume o papel do diretor geral do seu clube favorito, coordenando as finanças, contratos de jogadores, aprimoramentos patrimoniais e, é claro, comando a sua equipe de futebol, criando táticas, escalando os atletas e jogando as partidas propriamente ditas.

Entre as melhorias está o sistema de transações de jogadores, que agora está mais realista e leva em consideração aspectos mais subjetivo do que apenas a quantidade de dinheiro oferecida. Agora, o que já era comum nos tradicionais simuladores administrativos (Championship manager, FIFA Manager e Football Manger entre outros) também tem a sua importância, variáveis como o seu prestígio e até mesmo a visibilidade que o clube dará ao jogador influenciam diretamente nas transações.

O professor insistiu muito nessa jogada...

Agora você é o proverbial “professor” da bola. Graças às novidades presentes no modo Arena, o usuário pode criar suas próprias jogadas ensaiadas, que podem transformar-se em incríveis armas ofensivas. Creat A Set-Piece funciona da seguinte forma: o setor ofensivo do gramado é dividido em quadrantes, cobrindo as laterais, cantos e áreas. Assim você pode elaborar diferentes jogadas para cada um dos setores, sendo que a memória do jogo acomoda um total de 32 lances que podem ser salvos em seu perfil.


Para criar a jogada você deve selecionar o atleta, pressionar o botão de “gravar”, e movimentar o seu jogador livremente conforme você deseja que ele o faça no momento da execução da jogada. Essa movimentação será representada por uma flecha azul que servirá de apoio visual.

Você poderá gravar quantas movimentações quiser, construindo assim uma jogada completa, na qual todos os atletas representarão sua função específica de ataque ou defesa, sendo que você também pode testar sua jogada antes de salvá-la no seu perfil.

Proficionais da bola

O Virtual Pro é outra boa pedida, nessa modalidade o usuário pode evoluir em vários quesitos técnicos conforme joga, sendo que todas as informações estão registradas no seu perfil pessoal, sendo que tudo funciona tanto nos jogos online, quanto nas partidas offline.

Além disso, esse sistema ainda utiliza-se do Photo GameFace, que permite a utilização de imagens pessoais nos rostos do jogo. Realizada através do site oficial, e não pelo jogo, o sistema recebeu alguns aprimoramentos.

Usa o corpo!

É minha!O novo sistema de movimentação vem acompanhado de uma excelente engine de efeitos físicos. Se a edição do ano passado já havia acrescentou um elemento físico ao jogo, a nova versão da franquia está ainda mais “jogada” do que a anterior. As jogadas de corpo tornaram-se um elemento primordial do combate pela bola.

Os atletas continuam trombando-se e disputando a bola com o corpo, no entanto o momento (a força da física) irá apresentar uma importância muito maior, tanto para defensores como para os atacantes. Basicamente isso significa que os grandalhões poderão jogar como grandalhões, e os baixinhos poderão jogar como baixinhos — atletas “parrudos” vão trombar mais deslocando seus adversários e tomando a bola, enquanto que os jogadores mais baixos serão mais leves, porém com bases de apoio igualmente firmes.


Reprovado

O que espantou o BJ... No mau sentido


Fail!

Se a ideia por trás do sistema GameFace é inteligente o mesmo não aplica-se a sua operação. Os servidores apresentam erros com certa frequência e todo o processo acaba tornando-se tedioso e extremamente frustrante. Certamente essa é uma função que merece um cuidado maior e ao que tudo indica deve retornar mais refinada na próxima versão do jogo.

Pagando pra ver

O modo FIFA LIVE Season retorna nessa edição, mantendo firma a ponte do virtual com o real, atualizando os dados dos jogadores e resultados das partidas reais dentro do modo de jogo que segue o campeonato nacional inteiro. Tudo uma maravilha, se você não tivesse que pagar por cada um dos campeonatos disponíveis (que por sinal não são muitos).

Bonito, mas nem tanto

Os gráficos do jogo mantêm-se par com os da última versão de FIFA, no entanto além de esperar-se algo a mais, o jogo decepciona um pouco na modelagem de alguns atletas.

Aqui não mané!É verdade que os jogadores mais famosos (incluindo alguns da Liga do Brasil — como é chamado do Campeonato Brasileiro) são recriados com detalhes minuciosos, porém o “segundo” escalão do futebol mundial acaba ficando de lado.

Outro ponto negativo no quesito gráfico é a constante queda de FPS na hora dos replays.



Conclusão

Vale a pena?


Muito podem sugerir que se trata apenas de uma “atualização” da franquia, mas FIFA 10 é muito mais do que isso. Embora os avanços gráficos não sejam tão notáveis (realmente não são tantos assim) a jogabilidade destaca-se com grandes avanços e uma fluidez sem precedentes.

A série FIFA vem se re-inventando a cada ano, e se desta vez as melhorias não são tão evidentes aos olhos elas certamente são ao jogador, que sentirá diretamente os efeitos dos aprimoramentos técnicos.

Quanto mais se joga, mais se percebe o que foi melhorado e é ai que FIFA 10 mostra seus verdadeiros trunfos. Trata-se de um título que progrediu muito tecnicamente, mesmo com alguns erros em seu encalço.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

DEMON'S SOULS - Bonus Edition PS3 - R$ 289,00

Um dos melhores RPGs do ano vai matar você... Ou fazer você querer se matar.
Você vai precisar de, literalmente, todos os itens que encontrar Já teve a impressão de estar jogando um jogo tão difícil que em alguns momentos você deve simplesmente deixá-lo de lado por alguns minutos, ir fazer outra coisa e voltar com a cabeça fresca? Se não, deve conferir Demon’s Souls. Comparado aos outros games que estão sendo lançados no mercado atualmente, ele oferece um desafio muito além do que a maioria dos jogadores está sequer disposta a aceitar — mas o faz de forma excelente.

Pode parecer estranho para alguém que trabalha com video games dizer que um jogo é difícil demais. Mas é verdade. Antes mesmo de nossa equipe começar a testar o jogo, ouvimos comentários a respeito da dificuldade dele, como: você vai morrer tanto que vai ter que parar de se importar com isso; você morre bastante, mas o jogo continua; morrer faz você aprender, então não é algo maçante. Era tudo verdade? Nem tanto, mas nós de fato morremos feito condenados.

Se trata aqui de um RPG para consoles um tanto quanto tradicional, em termos de temática. Embora seja desenvolvido pela divisão japonesa da Sony, os elementos orientais se revelam apenas em alguns momentos específicos, como em inimigos gigantes armados até os dentes. De resto, o estilo de arte é bastante sombrio e lembra a fantasia medieval tão conhecida dos fãs do gênero.

Inicialmente, é preciso escolher a aparência de seu personagem — as opções de personalização são razoáveis, embora não espetaculares — e sua classe. Algo intrigante é que existe uma barra rolante para determinação do sexo, além do tradicional masculino e feminino. Assim, torna-se possível criar uma “mulher-macho” ou um “rapaz afeminado” de forma bastante precisa. No entanto, não vimos influência disso na jogabilidade ou na história do game.

Já as classes de personagem são inicialmente um mistério. Se você decidir partir direto para a ação e tentar descobrir o que cada uma faz dentro do jogo em si, perderá seu tempo. Não há qualquer tipo de descrição a respeito delas, então é necessário consultar o manual para descobrir quem são os magos, quem são os arqueiros e quem são os de combate corpo-a-corpo, já que os nomes das classes são vagos.

Ah, esses são moleza... Claro...

A história básica é de que você é um herói tentando reverter um quadro desesperado. Uma névoa estranha tomou conta do reino de Boletaria, trazendo consigo inúmeros demônios e ameaças sombrias. Você deve penetrar nesta neblina e derrotar os desafios que aparecerão — e, frequentemente, o matarão sem nenhuma piedade, rápida e inescrupulosamente.

Antes de passarmos aos pontos específicos, gostaria de lembrar uma coisa: nada de auxílios neste jogo. Voltando aos tempos mais imperdoáveis dos video games, desta vez se você falhar — em qualquer sentido, desde combate até não enxergar algum inimigo por causa das sombras que dominam o cenário — será punido pesadamente. Morrer faz com que você perca todas as suas almas coletadas, que são usadas para tudo, desde compra de equipamento até melhoria dos atributos do personagem.

Além disso, não importa onde você morre em cada uma das fases. Caso isso aconteça, retornará ao começo, e todos os inimigos irão reaparecer, sem exceção. As única coisas que continuam como estavam são os eventos que você destrava, como abertura de portas e coisas do tipo.


Aprovado

Do que nós gostamos


Dificuldade

Embora de início possa ser extremamente frustrante compreender como funciona o título, porque não há nenhum tipo de ajuda além do tutorial de combate, você não se frustra excessivamente. O sistema de retorno às fases para reviver, enquanto você atravessa o cenário como uma alma penada, faz com que você sempre fique com vontade de se vingar de seus algozes.

Mas por que o jogo é tão difícil, exatamente? Simplesmente pelo fato de que os inimigos são desafiadores e causam um dano enorme. Além disso, se pego em uma posição delicada você pode ser constantemente empurrado pelos oponentes e aniquilado rapidamente. Não é incomum encontrar alguns adversários que tiram mais de 40% de sua vida em apenas uma pancada — ou mais de 90% da barra quando você está em forma de espírito.

Este cara pode te matar, tranquilamente

Isto sem falar dos diversos cuidados que devem ser tomados com o ambiente. Buracos que levam à morte, precipícios, inimigos que empurram, dragões que passam dando rasantes e soltando fogo pela boca ou até mesmo acertando você com a cauda enquanto parecem dormir... As possibilidades são inúmeras, e muitas vezes elas o pegarão despercebido, com as calças literalmente na mão. Assim, a morte é algo inevitável.

Curiosamente, no entanto, é um game que faz você ficar com vontade de vencer, ao invés de parar de jogar. Após o primeiro dia de análises aqui na empresa, fui para casa pensando em como eu iria derrotar o maldito chefe de cenário que tantas vezes me fez comer grama pela raiz. Algo que é difícil de encontrar em jogos contemporâneos.

Ambientação

Tudo é muito escuro. Muito mesmo. Já antes de sua primeira partida o título pedirá que você escureça a tela, reduzindo o brilho, até que alguns símbolos usados como exemplo estejam invisíveis. Assim, só é possível enxergar nas fases o que está bem próximo ou em locais abertos. Tudo que não é iluminado pelo fraco cristal brilhante em sua cintura estará cercado pela mais completa escuridão. Em alguns momentos, a impressão é a de ter caído em um poço de piche.

No entanto, isto se presta de forma excelente à temática proposta. Afinal de contas, o reino está em desespero e a humanidade caminha em direção à extinção, lentamente. Como você é a única luz no fim do túnel, isto é refletido diretamente na jogabilidade, e é preciso bastante cuidado para não ser pego desprevenido pelos inimigos que espreitam nas sombras.

Breu é apelido!

Aqueles que estão preocupados em enxergar coisas essenciais, porém, não precisam se estressar. Corpos que possuem itens a serem adquiridos brilham com uma pequena luz amarela, então são fáceis de enxergar. Além disso, quando alguma coisa é importante ela será notada. Difícil explicar como, mas acredite: você irá notá-la.

O grande trundo é que aquilo que é essencial para completar as fases nem sempre é o único caminho a ser seguido. Existem diversos locais a serem explorados nos mapas que oferecem várias recompensas diferentes e requerem uma atenção especial para serem encontrados. Desde portas escondidas até passagens estreitas bloqueadas por objetos quebráveis, tudo pode ocultar algo de interessante.

Combate e animações

O foco do jogo é indubitavelmente a ação. É um RPG, sim, mas de ação — e ela é intensa. Os inimigos possuem movimentação rápida, variada e imprevisível, da primeira vez que você os encontra. Somente após vários combates contra um determinado oponente é que você saberá prever suas ações. Assim, mesmo o mais simples dos adversários deve ser enfrentado com cuidado e atenção.

A variedade também é excelente nos personagens. Cada arma possui um estilo de ataque diferente: rapieiras atacarão perfurando, enquanto machados serão empunhados de forma pesada e enfática. Todos os movimentos são também bastante fluidos e se encaixam uns com os outros de forma excepcional. Um exemplo perfeito é quando você rola para a frente e já golpeia com o ataque normal, executando um movimento diferente do que uma simples investida tradicional.

Defender-se é também muito importante

Isto dá uma dinâmica excelente aos combates, que faz com que a sensação de repetitividade simplesmente desapareça. Aliadas à necessidade de reagir em tempo real aos movimentos do oponente sob risco de morrer miseravelmente, as animações fazem com que cada combate seja único e envolvente.

Chefes de cenário

As batalhas contra os chefes são um espetáculo à parte. Incrivelmente difíceis da primeira vez, beirando o impossível, elas exigem raciocínio e estratégia por parte do jogador para que ele não seja completamente aniquilado instantaneamente. Isto porque a maioria destes adversários tiram mais de 90% da vida com apenas um golpe — da barra de quando você está vivo.

A frustração inicial pode ser imensa, mas ao seguir em frente e descobrir aos poucos como derrotar cada um deles o jogador tem uma satisfação incomparável. Um dos chefes, por exemplo, pode parecer impossível de derrotar — um cavaleiro de mais de 10 metros de altura — mas ao prestar atenção em pequenos detalhes o jogador logo percebe a maneira certa de destruí-lo.

Multiplayer

O multiplayer foi tratado de forma realmente excepcional. Os jogadores utilizam pedras adquiridas através do jogo para entrar em jogos alheios, auxiliando os outros usuários ou tentando aniquilá-los. Não há nenhuma comunicação, e cada um joga em seu próprio “mundo”, mas as ações têm impacto na jogabilidade do outro.

Fantasmas em vermelho indicam a forma como outro jogador morreu

Desta forma, a interação entre o modo single player e o multiplayer é completamente fluida, e eles se mesclam de maneira excelente. As mensagens que podem ser deixadas no chão e as manchas de sangue que revelam como outros morreram também ajudam os jogadores a ver como devem agir contra determinados desafios.


Reprovado

O que espantou o Baixaki Jogos... No mau sentido


Estabilidade gráfica

Enquanto os visuais do jogo são certamente bonitos, o mesmo não se pode dizer da performance. A taxa de frames por segundo cai constantemente quando existe algum evento de grandes proporções na tela, como um dragão enorme cuspindo fogo. Além disso, ao quebrar inúmeras quantidades de objetos, as partículas também fazem o sistema ficar mais devagar.

Acessibilidade

Embora seja compreensível a busca por um título difícil, que exige bastante dos jogadores e acata a um público mais específico, suas características certamente desagradam a um grande número de pessoas. Jogadores mais casuais não terão a tenacidade de continuar tentando até compreender o game, enquanto a atmosfera escura e sombria poderá criar desgosto em vários outros.

Este tipo de desafio definitivamente não é para qualquer um

O fato de não existir qualquer forma de salvar o jogo durante as fases também pode deixar muitos frustrados quando morrem por algum motivo que não suas falhas — como uma interrupção na conexão à internet. A possibilidade de pausar o jogo não seria nem um pouco ruim para momentos em que o jogador deve desviar a atenção por alguns momentos.


Conclusão

Vale a pena?


Certamente. O jogo é um dos melhores RPGs deste ano e com certeza será o deleite dos aficionados por games do gênero. A ação é excelente e envolvente, fazendo você querer sempre entrar em novos combates para testar suas habilidades contra o computador. É claro que aqueles que não têm muito tempo para investir ou certeza de que terão a perseverança para progredir devem alugar o jogo antes de comprá-lo em definitivo — mas uma vez experimentado, ele sempre deixará uma vontade de retornar.