Ser bom ou mau não é tão simples quanto parece
Red Dead Redemption está se tornando um daqueles blockbusters que mexem com os sentimentos das pessoas e afetam sua percepção do mundo de jogo. A quantidade de elementos que estão sendo recriados fielmente para o título, de forma a retratar a época do Velho Oeste norte-americano, é impressionante e não cessa de impressionar quem está acompanhando o desenvolvimento do projeto.
Bom ou mau?
Em um jogo como GTA, a escolha era bem mais sutil — afinal de contas, você é um criminoso e ponto. Já em Red Dead Redemption, a coisa é muito mais elaborada. O personagem principal certamente fez coisas pouco louváveis no passado, mas cabe a você decidir se ele continuará nesse caminho ou tentará buscar a redenção verificada no nome do game.
Pode parecer algo trivial e que vários RPGs já integraram em suas respectivas jogabilidades, mas é preciso lembrar que Red Dead Redemption é primariamente um jogo de tiro e com mundo aberto. Ou seja, o foco da experiência ainda se concentra na ação; mas a atenção dada à história, à narrativa e à moral fazem dele algo muito maior.
O melhor de tudo é que não há uma definição maniqueísta da coisa: não é tudo preto no branco, não existe algo 100% bom e algo 100% mau. O meio-termo é um conceito chave que faz com que a experiência de jogo seja recheada de decisões a serem tomadas que levarão o protagonista de um lado a outro do espectro.

A consequência é a impossibilidade de chegar a um beco sem saída moral, no qual se torna impossível mudar o destino do personagem. Por mais que você siga um determinado caminho, existe sempre alguma maneira de alterar o futuro da história, seja se redimindo das coisas ruins que realizou ou jogando tudo para cima e partindo para uma vida bandida.
Quando uma trama como essa é desenvolvida nos games, que são naturalmente uma forma de mídia interativa, o essencial é fazer com que o jogador se identifique com o personagem e torne os acontecimentos do jogo algo bastante pessoal. O que parece estar sendo feito incrivelmente por Red Dead Redemption, já que é impossível que o usuário não sinta alguma resposta emocional aos eventos que se passam na tela.
O game parece, inclusive, disposto a dificultar a vida do jogador e embaralhar seu senso de justiça constantemente, através de vários eventos no decorrer da partida que questionam as decisões tomadas anteriormente. Um exemplo: você salva uma donzela em perigo de um bandido armado, sendo reconhecido pelo gesto. Da próxima vez que isso acontece, a situação se revela uma armadilha orquestrada pela própria suposta vítima, e você entra numa fria. Na terceira vez, o que você fará?
Esse é o tipo de coisa que torna os video games mais interessantes, permitindo ao jogador participar ativamente da história e tornando as tomadas de decisão algo significativo e com resultados palpáveis dentro do universo virtual.
Cavalos, o melhor amigo do caubói?
Um outro elemento que os desenvolvedores de Red Dead Redemption consideram essencial é o meio de transporte mais utilizado da época: os cavalos. Um trabalho extenso foi feito em cima dos animais, chegando ao ponto de ser realizada uma captura de movimento com diversos bichos — já que existirá uma grande variedade de raças, cores e tipos. Até mesmo a saúde dos animais poderá variar, desde pangarés doentes até garanhões musculosos.

A promessa é entregar aos consumidores os cavalos mais bonitos, realistas e precisamente retratados da história dos video games. Para tal, as animações foram meticulosamente realizadas para se integrarem com os movimentos dos cavaleiros. Com isso, o comportamento dos animais deve ser bastante realista, desde uma cavalgada tranquila pelo deserto até um tiroteio no qual o personagem está se mexendo feito louco em cima da montaria.
Red Dead Redemption chegará às prateleiras daqui a uma semana, no dia 18 de maio.